Sobre o Bruxo Legbara
Bruxo Legbara é o nome pelo qual assumo minha identidade sacerdotal e mágica dentro do Reino Cabra Preta, expressão de um caminho construído entre o mistério de Exu, a Bruxaria Tradicional e aquilo que, em nossa doutrina, denominamos Lei Negra de Lúcifer.
Meu trabalho nasce na encruzilhada. É nela que encontro Exu não apenas como uma presença invocada nos ritos, mas como força de movimento, comunicação, abertura, confronto e transformação. Exu ensina que nenhum caminho verdadeiro permanece imóvel. Toda passagem exige escolha; toda escolha possui consequência; e toda iniciação modifica aquele que atravessa o portal.
No Reino Cabra Preta, minha caminhada com Exu se une aos fundamentos da Bruxaria e ao simbolismo ancestral do Deus Cornífero, senhor da natureza indomada, dos instintos, dos ciclos de vida e morte e dos antigos mistérios da terra.
Ao lado dele encontra-se Cailleach, a Velha Senhora, potência ligada ao inverno, à soberania, à transformação e à sabedoria das forças antigas. Em minha prática, o Cornífero e Cailleach representam aspectos complementares de uma espiritualidade que reconhece tanto a força que fecunda e movimenta quanto aquela que recolhe, encerra, transforma e devolve tudo ao silêncio da terra.
É nesse encontro entre Exu, Bruxaria e Mistério que nasce a identidade do Bruxo Legbara.
Por que Legbara?
O nome Legbara não pretende afirmar que Legba e Exu sejam historicamente a mesma divindade. Legba pertence às tradições religiosas da África Ocidental e do mundo vodu, enquanto Exu possui seus próprios fundamentos nas tradições iorubás e, posteriormente, diferentes manifestações e compreensões nas religiões afro-brasileiras.
Minha utilização de Legbara pertence à linguagem iniciática particular do Reino Cabra Preta. Dentro de nossa doutrina, o nome evoca o princípio do Guardião do Limiar: aquele diante do qual os caminhos se abrem, as mensagens atravessam mundos e o iniciado precisa decidir qual estrada seguirá.
Por isso, Legbara é para mim um nome de ofício. Ele representa aquele que trabalha diante dos portais.











Exu na Lei Negra de Lúcifer:
A Lei Negra de Lúcifer, dentro da doutrina do Reino Cabra Preta, não significa submissão de Exu a Lúcifer e tampouco pretende substituir os fundamentos tradicionais das religiões que cultuam Exu. Trata-se de uma formulação própria da nossa Bruxaria.
Lúcifer representa, nesse contexto, o princípio da Luz que revela aquilo que estava oculto, da consciência conquistada e da ruptura com a ignorância. A palavra “Negra” refere-se ao mergulho iniciático no desconhecido, na noite, na sombra e nos mistérios que precisam ser atravessados para que exista verdadeira transformação.
Exu permanece Exu. Mas dentro do Reino Cabra Preta, sua potência é contemplada também através dessa cosmologia luciferiana: Exu abre a estrada; Lúcifer ilumina aquilo que a estrada revela; o Bruxo decide se terá coragem de atravessá-la.
É dessa compreensão que surge o Bruxo Legbara. Não como personagem, mas como função dentro da tradição. Meu trabalho está voltado aos mistérios de Exu, à Bruxaria, aos ancestrais, às forças da natureza e aos caminhos iniciáticos que colocam o praticante diante de sua própria responsabilidade espiritual.
O Reino Cabra Preta nasce exatamente dessa encruzilhada: preservando respeito pelas raízes que nos antecederam, mas assumindo que possuímos uma doutrina própria, uma linguagem própria e uma forma particular de compreender os Mistérios.
Eu sou Bruxo Legbara.
Aquele que permanece diante da encruzilhada.
Aquele que trabalha onde os caminhos se encontram.
Laroyê Exu.


































